O PROJETO ESCOLA VIVA: DA TEORIA À PRÁTICA DA PSICANÁLISE E EDUCAÇÃO INCLUSIVA
Escrito por Profª. Drª. Leny Magalhães Mrech
Sex, 30 de Novembro de 2001 03:00
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Capítulo 5

Este capítulo que compõe a tese de livre docência da profa. Leny Magalhães Mrech com o título O MERCADO DE SABER, O REAL DA EDUCAÇÃO E DOS EDUCADORES E A ESCOLA COMO POSSIBILIDADE. Defendida na Faculdade de Educação da USP, em Agosto de 2001.

Metodologia da Pesquisa

O Projeto Escola Viva: Da Teoria à Prática da Psicanálise e Educação Inclusiva

Estamos em um novo século. A Educação, a Escola, os professores, alunos, pais, funcionários, equipe técnica e comunidade precisam ser preparados para os novos tempos que virão, no âmbito da educação comum e da Educação Especial.

Muitos se perguntam: será a Educação Inclusiva um novo caminho? A Psicanálise poderá ajudar os educadores, sem se descaracterizar como teoria e prática?

Pelo Projeto Escola Viva de Psicanálise e Educação Inclusiva que desenvolvo na Escola de Ensino Fundamental General Osório da Prefeitura de São Paulo, durante quatro anos, acredito ser possível encontrar algumas respostas.

Respostas que abrem para outras questões referentes ao real da Educação e dos educadores. Um real que necessita ser olhado com mais cuidado por educadores e psicanalistas.

O real da Educação e dos educadores revela que a escola ocupa um lugar estratégico, um lugar novo.

 

A escola demanda novas leituras, tanto na sua concepção como no conhecimento que temos das relações ensino-aprendizagem, dos sistemas de vínculos e desvínculos, dos micros e macroprocessos que produzem e/ou são produzidos pelos discursos e práticas pedagógicos. A rigor não existe Escola, mas escolas, assim como uma multiplicidade de significados para muitas de suas representações . Muitos dos problemas vividos na escola advém de formações e conceitos interiorizados, crenças cristalizadas na rotina do cotidiano, que acabam por "naturalizar" práticas, tornando-as imperceptíveis entraves à realização de suas propostas. Estudar escolas significa, pois, contar com a continuidade e a descontinuidade em suas relações. É investigar o que é mais permanente nessas relações; buscar nas disputas, nos enfrentamentos, nas alianças que ali acontecem o conjunto de aspectos que têm sentido para as pessoas. Enfim, é tentar apreender "parâmetros" que ultrapassem aquelas conjunturas (Ferreira e Eizirik, 1994:6).

 

Ela não se apresenta mais da mesma forma como vinha se estruturando ao longo dos séculos. A escola mudou. Porém, ela não é um epifenômeno do que acontece no sistema econômico, no sistema cultural. Ela é uma outra coisa.

 

A adoção dos Sistemas Educativos como nível de análise dominante( ou mesmo exclusivo) em detrimento do nível de análise Escola ( que poderia constituir um espaço de reflexão particularmente rico para a compreensão da autonomia relativa existente entre o sistema global e as globalidades parcelares que o integram) [...] conduz, evidentemente, a uma sobrevalorização da dimensão macroestrutural relativamente àquilo a que poderíamos chamar de dimensão microssociológica (Correia, 1991:147).

 

A escola é um lugar que congrega as diferenças e que possibilita redefinir a própria instituição escolar, dando-lhe novos rumos e encaminhamentos.

 

A emergência recente de uma sociologia das organizações escolares, situada entre uma abordagem centrada na sala de aula e as perspectivas sócio-institucionais focalizadas no sistema educativo, é uma das realidades mais interessantes da nova investigação em Ciências da Educação. Trata-se de procurar escapar do vaivém tradicional entre uma percepção micro e um olhar macro , privilegiando um nível meso de compreensão e intervenção. As instituições escolares adquirem uma dimensão própria, enquanto espaço organizacional onde também se tomam importantes decisões educativas, curriculares e pedagógicas (Nóvoa, 1992:15).

 

Por que partir da escola? Porque ela é o lugar estratégico onde tudo acontece, onde as experiências se centram e descentram .

 

As escolas são instituições de um tipo muito particular, que não podem ser pensadas como uma qualquer fábrica ou oficina: a educação não tolera a simplificação do humano (das experiências, relações e valores), que a cultura da racionalidade empresarial sempre transporta. (...) As escolas constituem uma territorialidade espacial e cultural, onde se exprime o jogo dos atores educativos internos e externos; por isso, a sua análise tem o verdadeiro sentido de conseguir mobilizar todas as dimensões pessoais, simbólicas e políticas da vida escolar, não reduzindo o pensamento e ação educativa a perspectivas técnicas, de gestão ou de eficácia stricto sensu ( Nóvoa, 1992:16).

 

Trata-se da escola como uma nova territorialidade espacial e cultural. A escola como espaço de criação e inclusão.

A Escola de Ensino Fundamental General Osório será trabalhada como um estudo de caso.

Nos últimos anos, ela tem se apresentado publicamente em vários eventos e nas mídias eletrônicas e televisivas. Assim, com a anuência dos participantes do projeto e da Secretaria Municipal de Educação, preferi conservar o próprio nome da escola, assim como o nome dos participantes do projeto e sua função na escola.

Optei por trazer o que tem acontecido na escola através dos relatos dos participantes do projeto. Para tentar capturar de alguma forma, do seu interior, o que eles tem vivenciado e de que maneira o projeto acabou se estruturando para eles.

 

5.1 O Projeto Escola Viva da Escola de Ensino Fundamental General Osório

 

 

O Projeto se iniciou logo após o primeiro projeto Escola Viva que tive com a Prefeitura de São Paulo. Foram atendidas mais de 170 escolas, professores das salas de SAPNE (Salas de Apoio aos Portadores de Necessidades Educativas Especiais) e SAP ( Salas de Apoio Pedagógico aos alunos com distúrbios de aprendizagem), das antigas EMEDAS (Escolas Municipais para o atendimento dos Deficientes Auditivos) e coordenadores pedagógicos das escolas onde havia o projeto.

Uma das coordenadoras do projeto anterior indicou o meu nome para a diretora da escola. Comecei em julho de 1997 e o projeto continua até os dias de hoje.

A General Osório foi a primeira escola inclusiva da Prefeitura de São Paulo. Ela tem 689 alunos, sendo 27 alunos com necessidades educativas especiais, isto é, alunos com deficiência mental – 5; deficiência auditiva – 1; deficiência física – 2; distúrbios emocionais – 2 e distúrbios de aprendizagem - 16.

O material é composto por relatos escritos de grande parte dos participantes do projeto. Ele visa contar, com suas próprias palavras, o que tem sido o projeto Escola Viva. Foram conservados os primeiros nomes de cada um e o cargo exercido na escola. Entre os relatos acrescentei pequenos esclarecimentos ou considerações que possibilitassem uma localização mais precisa do que foi acontecendo na escola.

 

No início, o desejo.... Meu desejo de uma escola de qualidade, onde houvesse a participação de todos os segmentos da escola: professores, pais, alunos, equipe administrativa, equipe de apoio à educação para a constituição do projeto.

Um projeto não mais para remendar o que aí está. Mas que trouxesse o novo no dizer da Educação, fundamentado em outras formas de conceber a relação professor-aluno (Arlete, Diretora).

 

O processo se iniciou pelo desejo de um. Pelo desejo da diretora. Como tornar o desejo de um o desejo dos demais ? É possível desencadear esse efeito nas escolas? Essa foi a questão com a qual me debati ao longo de boa parte da pesquisa.

 

Das discussões coletivas no interior da Escola a constatação: a complexidade do processo de ensino-aprendizagem. Mas também, da captura de desejos, ou melhor, de um desejo : como colocar a Educação e a Escola no lugar que lhe cabe na sociedade? Como torná-la um centro vivo de possibilidade, de participação e de inclusão em sentido amplo. Gerador de sujeitos que desejam, demandam, buscam e agem na direção de uma sociedade mais humana, sem negar o contexto, as contradições e as diferenças(Arlete, Diretora).

 

Quando se aplicam os pacotes de transmissão de saber aos professores, estes não são tomados como sujeitos, devendo refletir sobre temáticas que não escolheram.

Não queria cair nesse erro. Desde o início, estabeleci com os participantes do projeto uma relação de sujeito: eles deliberariam o que estudar e a atividade que teriam. Procurei escutá-los nas reuniões de grupo e atividades individuais, garantindo sigilo para expor suas necessidades e dificuldades.

A direção e equipe técnica têm sido o grande elo de ligação entre a escola e a comunidade, exigindo um trabalho comprometido e cuidadoso com os participantes do projeto: acolhida, escuta, retorno dos conteúdos, síntese e principalmente a sustentação do desejo por um projeto de Educação Inclusiva e Psicanálise.

Como tornar o sonho de um o sonho dos demais? Como levar, sem impor, os professores a encamparem essa idéia e se interessarem pelo projeto? Desde o início, acreditei que a resposta se encontrava na implantação de uma via desejante. Não só a diretora poderia sonhar, mas cada participante do projeto poderia acrescentar o seu sonho ao painel do projeto. Um sonho por uma Educação melhor, por uma escola de qualidade, pela implantação do mesmo desejo nos alunos, pais, funcionários e comunidade.

 

A escola fica situada na Vila Califórnia, região da Vila Prudente, onde sou Diretora há seis anos.

O projeto vem acontecendo desde julho de 1997. Uma sistemática de reuniões gerais e entrevistas com os professores, pais, alunos, equipe técnica, funcionários, etc.

Nas reuniões de assessoria, temos estudado conteúdos vinculados à Psicanálise e Educação Inclusiva. Temos estudado autores como Lev Vygotsky, Henri Wallon e Jacques Lacan.

Além disso, os professores também são trabalhados em outros horários coletivos, com outros conteúdos, sob a responsabilidade das Coordenadoras Pedagógicas(Arlete Persoli – Diretora).

 

O sonho de todos e de cada um. Onde cada um poderia expor, sem medo, seus sonhos e desejos. Ao longo de quatro anos de projeto, muitos sonhos se realizaram, outros foram frustrados. A comunidade escolar tem vivido entre o sonho e a fantasia. Entre o feijão e o sonho. Um processo que muitas escolas conhecem, pois a realidade não possibilita um sonho muito grande.

Pequenos sonhos. Sonhos possíveis. O projeto Escola Viva visa a capacitação e treinamento de todos os participantes da escola, privilegiando a escuta mais constante de professores, alunos, pais, equipe técnica e funcionários da escola. A direção tem um papel fundamental no processo.

 

São realizadas entrevistas individuais com os professores, onde eles podem colocar as suas dificuldades com cada aluno, com os conteúdos a serem trabalhados, etc. Ali também são feitos os acompanhamentos dos estudos de casos, onde cada professor pode relatar os seus avanços com cada aluno.

Procuramos ver o professor em sua singularidade, bem como fazer com que ele teça os caminhos que achar necessário, para a sua participação dentro do projeto.

Esta prática se estende a todos os segmentos, incluindo alunos, funcionários e pais.

Neste sentido, é importante destacarmos a importância da Psicanálise no Projeto de Educação Inclusiva, o que nos tem propiciado um novo olhar sobre a educação, o aluno, etc.

Para os educadores, a psicanálise lacaniana não é uma teoria fácil. Ela não tem os mesmos referenciais da Pedagogia, Psicologia, Filosofia, exigindo grande elaboração de quem a estuda.

A Psicanálise Lacaniana parte do mesmo eixo que Freud elaborou: a função da linguagem e da fala nos sujeitos. Ela vai além do modelo tradicional de linguagem e da fala, que parte de um modelo de comunicação direta. Para Lacan, os sujeitos são tecidos na e através da linguagem.

Estes novos referenciais quando aplicados na Escola, têm nos feito refletir sobre o que se tece no contexto escolar através da linguagem e da fala e nos impasses criados através da crença estabelecida pelos estereótipos e preconceitos (Arlete Persoli – Diretora).

 

Há uma ampla conversação entre os participantes da escola. A intenção é liberar a palavra que geralmente fica presa nas escolas por medo de falar o que se pensa, o que se deseja, o que se necessita.

 

A disposição da escola, na pessoa da diretora, coordenadora pedagógica e pessoal administrativo, também é um ponto alto do projeto, pois muitas foram as reuniões feitas com os pais, à noite, para explicar como o projeto acontecia na escola. A comunidade tem sido chamada para dentro da escola (Ione, Professora).

 

Desde o início, optei por ocupar o lugar do êxtimo. O lugar daquele que é estrangeiro, do que vem de fora. O lugar que a teoria psicanalítica estabeleceu para aquele que atua como moderador, como mediador. Daquele que ajuda os participantes a identificar o que está acontecendo na escola.

No centro do projeto estão os participantes, os que vão assumi-lo, responsabilizar-se por ele no dia a dia. Conteúdos que eles vão escolhendo, por acreditarem que seria importante para a sua prática, para construir o seu saber, lhes possibilitando identificar o que e de forma estão fazendo. Um saber que evite agir de forma inconsciente em relação a certos conteúdos estigmatizadores.

Para isso os participantes do projeto necessitaram alterar a forma tradicional de agir nas escolas, que imputa ao "outro" a responsabilidade pelo que acontece com o sujeito.

 

Hoje fui falar com o professor do meu sobrinho, que está apresentando problemas na escola e, durante a conversa, percebi o quanto os professores estão sobrecarregados, não sabendo como lidar com os alunos. Reclamam de que os alunos estão desatentos, que não trazem os cadernos, que não fazem as lições e que riem a qualquer hora do outro que faz uma gracinha. Acabam colocando o aluno fora da sala e dão graças a Deus quando esse aluno falta. O professor acha que tudo o que o aluno faz é para irritá-lo e criar desarmonia na classe.

Tudo isso, fiquei analisando, porque acontecia comigo a mesma coisa. Agora, graças ao projeto, que pude vivenciar de diversas formas como: palestras, observação em sala de aula, aplicação prática do que foi estudado, nova postura diante dos fatos, vontade de mudar, novos conhecimentos sobre o ser humano, suas reações, atitudes...( Professora Terezinha).

 

Não é fácil nem simples implantar um trabalho de Educação Inclusiva e Psicanálise na rede pública. Quem esperar que a implantação da Educação Inclusiva se dê sem dificuldades e percalços, com certeza, é porque não conhece como a Educação Inclusiva atua. Um dos problemas maiores que se enfrenta ao longo do projeto é a luta contra os estereótipos e preconceitos (estruturas de alienação no saber).

 

Em julho de 1997 a Dra. Leny iniciou o trabalho. A resistência foi muito forte por parte de todos, já que os primeiros textos e palestras apresentados traziam uma reflexão para os problemas que a escola enfrentava e a prática pedagógica de cada um. Uma prática que não estava dando conta das dificuldades apresentadas pelos alunos.

A indisciplina era um dos maiores entraves em sala de aula, sendo os alunos indisciplinados excluídos da mesma. O índice de repetência era muito alto pois a forma de avaliar o aluno não levava em conta o seu progresso e o processo de aprendizagem, mas somente o produto final. (Cleuza – Coordenadora Pedagógica).

 

Quando a Leny começou as reuniões eram feitas leituras de textos como : Educação e Informática, Educação Inclusiva, Sociedade Pós-Moderna. Ela perguntava como os alunos deveriam ser preparados para uma sociedade pós-moderna, onde os parâmetros cognitivos são continuamente redefinidos. Aos poucos foi levantando com os professores como eles trabalhavam, se gostavam do trabalho, quais eram as suas dificuldades, que tipo de metodologia de ensino utilizavam, etc. Além disso, ela propunha com questionamentos, desenhos e brincadeiras para que olhassemos a nossa própria atuação. Por exemplo, em uma reunião foi pedido para desenharmos o que era a aprendizagem, e que escrevêssemos a respeito de como sabemos que nós sabemos um determinado conteúdo. Um outro desenho foi feito para expressar como me sinto quando eu erro. ( Fernanda – Coordenadora Pedagógica).

 

No início foi muito difícil por tratar-se de um saber desconhecido, dava medo de errar, de não dar certo, de não saber, de arriscar. Houve momentos de angústia, resistências, retrocessos, contradições, ansiedade. Lentamente foram ocorrendo avanços, transformações e acontecendo a construção.(Carmem – Assistente de Diretor).

 

Quando a Dra. Leny veio nos dar a primeira palestra, a reação foi de aversão, ainda mais por se tratar de uma pessoa de fora dizendo "o que deveríamos fazer". Comentávamos "como é possível uma intromissão na nossa maneira de agir com nossos alunos".

Mas as reuniões continuavam e ela nos falava de vários assuntos que nos deixavam atordoadas. Dos comentários nem é necessário dizer: "Eu sempre trabalhei deste jeito", "Para que mudar se eu aprendi assim e deu certo", e por aí afora. Quando ela retornava e voltava com aqueles assuntos terríveis, que mexiam com o nosso ego, imaginem só como nos sentíamos.

Nossa Diretora, a pedido da professora Leny, fez uma reunião conosco e nos perguntou se realmente nós queríamos o projeto. Resolvemos aceitar o desafio e saber o que é que não sabíamos de importante para mudar as nossas convicções e saberes inabalados (Darcy, Professora ).

 

 

Muitos acreditam que a Educação Inclusiva irá se implantar sem nenhum tipo de atrito ou questionamento por parte dos educadores. Como se fosse possível sair magicamente de uma concepção e ir para outra, sem que nada se alterasse.

A Educação Inclusiva muda não só os aspectos referentes ao saber do sujeito. Ela altera também o seu sistema de crenças. O que muitas vezes é bastante difícil e penoso para alguns professores.

Em um primeiro momento, os professores do Nível II da Escola de Ensino Fundamental General Osório optaram por não participar do projeto, alegando que não se sentiam identificados com o tipo de trabalho que estava sendo realizado na escola. Posteriormente eles retornaram e atualmente fazem parte do projeto.

 

Os professores de Nível II inicialmente optaram por não continuar com as reuniões com a Leny. Eles questionaram algumas informações que ela havia obtido. Eu respondi e fundamentei que tudo o que ela havia levantado era verdadeiro (Fernanda – Coordenadora Pedagógica).

 

É muito difícil para o professor aceitar que existem problemas na escola, na sua atuação e que é preciso mudar. Os educadores, diferentemente dos psicólogos e psicanalistas, não estão acostumados com a supervisão do seu trabalho. O que faz com que eles sintam uma dificuldade maior em refletir a respeito da sua prática. Um problema que os pedagogos institucionais já haviam identificado há muito tempo.

 

Se não fosse tão banal, poderia julgar-se espantosa esta atitude dos professores que fazem ponto de honra na negação da existência dos conflitos na sua aula: aí tudo corre bem. Alguns conseguem tão bem neutralizar o grupo de crianças, estão tão orgulhosos por terem conseguido criar bons hábitos, por terem fabricado alunozinhos com um comportamento estereotipado, que se arriscam a ficar escandalizados com o que propomos. Especialmente se são inteligentes, sabem muito bem que não resolveram nada. Na melhor das hipóteses, os conflitos revelam-se fora da escola, na família. Ou de resolver: fala-se então de crise da adolescência. No caso geral, a "pessoa grande" que se manteve infantil, mas socializada, adaptar-se-á à sociedade.

Por que razão, no decurso de reuniões de trabalho, de onde aparece banida toda a atitude de fazer boa figura, é tão raro ouvir um professor descrever com precisão o desenrolar de uma crise na aula? Será apenas o medo do julgamento dos outros que faz calar?( Vasquez e Oury, 1978, vol III).

 

A possibilidade de questionar o próprio trabalho, de analisá-lo sob diferentes ângulos é fundamental para o projeto de Educação Inclusiva e Psicanálise, porque implica no deslocamento de um processo de formação tradicional para um processo de construção do educador. No primeiro caso, o professor recebe as informações de fora. No segundo, ele começa a se produzir, a se construir enquanto professor.

 

Minha participação neste projeto, tem feito com que eu reflita mais sobre o meu planejamento e trabalho em sala de aula, procurando sempre aprimorar minha prática, não apenas em relação aos conteúdos e metodologias, mas quanto ao relacionamento com os alunos, compreendendo-os melhor, buscando uma forma de comunicação mais eficiente, para atingir melhores resultados (Meire, Professora).

 

É o momento em que o professor começa a olhar de outra forma o aluno, que deixa de ser uma categoria ou conceito, para se tornar um sujeito com o qual ele interage, não importando se ele é deficiente ou não.

 

Cada desafio nos anima a buscarmos novos conhecimentos. Percebi que tenho que identificar em cada aluno o que facilita sua aprendizagem, o que o motiva a aprender. (Meire, Professora)

 

Aprendi que cada indivíduo é um ser singular, com suas vontades, necessidades e potencialidades próprias e, que devemos respeitar o seu ritmo de aprender. Com a criança portadora de necessidades educativas especiais o trabalho é individualizado, com muita conversa, para que ela tenha segurança e confiança no professor. Não é fácil este tipo de trabalho, pois temos muitas crianças na sala de aula e, cada uma com as suas necessidades. Nós, professores, queremos o sucesso imediato do aluno, mas na maioria das vezes, o progresso é lento. É preciso ficarmos alegres com o menor avanço que a criança apresente. Tenho algumas dificuldades em sala de aula, mas acredito que com boa vontade e suporte técnico, tudo fica mais fácil. O professor precisa e deve ser ajudado na sua tarefa, como é preciso também, que a família participe e acompanhe a vida escolar da criança. (Silvana, Professora)

 

 

É o momento em que o professor adquire a medida da sua ignorância. O momento em que se inicia a verdadeira construção do seu saber. Pois, o professor perde o medo de se expor e passa a se interessar em investigar o que está acontecendo com os seus alunos. O momento em que ele começa a adquirir o desejo de saber.

 

Quando assumi a classe do ano passado, 3a. série, e percebi sua realidade, confesso que depois de tudo que aprendi, me senti incapaz, com medo, chorei e passei noites em claro, me perguntando por onde começar? Embora já tivesse uma certa bagagem de conhecimentos e a assessoria da Dra. Leny.

Encontrei uma classe extremamente heterogênea : alunos de comportamento passivo, alunos extremamente agitados, alunos bons, alunos que liam e não escreviam, alunos que não liam e que não escreviam e, entre eles os que se recusavam a ler, escrever, a fazer qualquer atividade proposta. Alguns se rastejavam pela sala, alunos que escutavam errado sem ter problemas auditivos.

Dessa forma, tive que ir conhecendo-os, um a um, nos detalhes, conversando individualmente e perguntando-lhes quem eles eram, o que queriam, o que pretendiam ali, o porquê de tanto anos na mesma série, como eram as suas famílias, quem cuidava deles, quem lhes dava carinho, quem conversava com eles em casa, onde ficavam na ausência da família, etc. Enfim, eu precisava saber deles o que só eles poderiam falar.

A minha persistência operou mudanças. Chegou o momento em que eles começaram a perguntar, a querer saber o porquê de tantos questionamentos. Qual não foi a minha surpresa, quando o aluno Israel me falou: "Sabe, a senhora é a única professora que tive, que se preocupa comigo, que conversa e quer saber de mim, de meus colegas".

Comecei então a perceber que o respeito pelo outro, já estava fazendo parte daquele grupo, que começava a aceitar mudanças, já estavam começando a ouvir o outro. Aquelas crianças tinham uma bagagem bastante grande de conhecimento.

Comecei a perceber, após semanas de trabalho contínuo, a satisfação de cada um, quando começava a escrever. Passaram então, a sugerir palavras e todos queriam escrevê-las. Percebi que estava no caminho certo, os meus alunos começavam a aprender a aprender.

Das palavras começaram a surgir frases curtas, sempre acompanhadas por mim, pois ainda estavam muito inseguros, até que chegou um momento no processo, que percebi um começo de superação. ( Darcy, Professora)

 

Um dos aspectos mais interessantes deste momento é que o professor passa a se interessar para que também o seu aluno construa o seu desejo de saber. Como se ele necessitasse desencadear no aluno o mesmo processo que sentiu.

 

A aluna Francinete, 13 anos, não conseguia dar opinião alguma a respeito de um pequeno texto trabalhado em classe, pois lia e não entendia nada. Sentamos juntas e, na lousa, coloquei outro texto com apenas oito linhas curtas. Fiz com que ela lesse palavra por palavra até formar a frase, muitas vezes. Fiquei uma aula inteira para que ela pudesse ler e entender. De repente ela me disse: "Ah! Professora, é isso? Então eu já sei". Havia nela um sorriso de felicidade e de confiança em si. Daquele dia em diante, despertou o seu interesse pela leitura. (Darcy, Professora)

 

Foi a descoberta do mundo da leitura e da escrita para Francinete que, atualmente, escreve pequenas histórias. A descoberta da professora como uma educadora. Do desejo de saber ao desejo de ensinar. Do desejo de ensinar ao desejo de aprender. Um percurso que percebi em muitos professores do projeto.

 

Antes do projeto de educação inclusiva, eu tinha uma maneira diferente de encarar os problemas que ocorriam em sala de aula: as vêzes julgava certos alunos como "incapazes" e, hoje, valorizo todas as atitudes, vejo a criança como um ser pensante e capaz e, aprendo a todo instante com elas. (Margarette, Professora)

 

Quando se pensa na questão da transmissão muito poucos professores se dão conta que o aluno também pode ensiná-los. Questionando a idéia que o professor precisa ter um saber total, que ele necessita saber tudo. Surge a primeira conexão com o saber do inconsciente. Um saber que não é hierarquizado e nem previsto como o saber da consciência. Um saber que revela que as pessoas sabem mais do que acreditam saber. Um saber que não se controla, mas se é controlado por ele.

 

Muitas vezes questionei como poderia trabalhar cada aluno, se as classes eram lotadas, e eu nem conseguia saber o nome de cada um. Porém, aos poucos, fui percebendo a importância de trabalhar individualmente com cada aluno. Depois de refletir sobre tudo e de rever a minha própria prática, queria experimentar o que havia aprendido até então. A Profa. Leny me sugeriu que criasse um projeto dentro da minha área – Educação Artística. Assim criei o projeto "Arte na Escola". Este projeto consiste em oficinas de arte que visam a inclusão de alunos, professores e comunidade em geral, através da arte. Estas oficinas contam com a ajuda de profissionais e de pessoas da própria escola e comunidade, que tenham habilidades.

O público é muito diversificado, desde crianças com distúrbios emocionais graves a funcionários, professores e pais da comunidade. Tenho aprendido e estudado bastante. O bom das oficinas é que mudamos os papéis constantemente, ora sou professora, ora sou aluna. Em muitas situações, durante as oficinas, quando me vi "atrapalhada" para realizar algum trabalho, tive a ajuda espontânea dos alunos. Neste contexto, entendi que um professor não tem que saber tudo, mas tem que ter a responsabilidade de estar questionando a sua prática e o seu saber.

Rever nossa prática é ter coragem para mudar de paradigma, que acredito, seja o caminho mais curto para o educador. Ensinar alunos que não tem problemas e que tem apoio familiar para seguir em frente, é fácil. Porém, insistir com aqueles que tem baixa estima e de alguma maneira já estão estigmatizados por não se encaixarem nos modelos "comuns", é que é o grande desafio do educador.

Hoje, posso dizer que estou trilhando um novo caminho, tentando incluir a todos, sem discriminação.

Sou fruto de uma geração onde predominava a educação tradicional, onde o aluno tinha que ser encaixado dentro dela. Posso dizer que destrui a maior parte dessas amarras e, no meu caminho existe luz, uma luz que faz vislumbrar a esperança de uma educação mais justa e compartilhada por professores, alunos e comunidade, na esperança de um mundo melhor. É bom demais a sensação de lutar junto ao aluno e pelo aluno. É alguma coisa que só dá para sentir, fazendo! ( Zuleica, Professora)

 

Zuleica se dá conta da falta. Ela não precisa ter todas as respostas e nem sustentar o seu papel o tempo inteiro, como no caso do professor do ensino tradicional. Ela pode se deixar ensinar pelo aluno. Ela pode revelar a sua falta sem medo que a relação se quebre.

O projeto se baseia na instauração da transferência de trabalho. Isto é, não basta que o professor aprenda um determinado conteúdo. É preciso que ele o coloque em prática, aprenda a lidar com ele e a trabalhá-lo com o aluno.

 

Como POIE ( professora orientadora de Informática Educativa), trabalho com todas as classes de 1a. à 4a.série e com seus respectivos professores, que participam também da capacitação em informática educativa.

Meu trabalho, dentro da proposta da escola inclusiva, tem acontecido de forma positiva. Através do que tenho estudado e aplicado este conteúdo. Acredito na inclusão e no trabalho com a auto-estima da criança. Tenho conseguido um bom relacionamento e retorno bastante positivo no que se refere à aprendizagem, tanto de professores como dos alunos. Hoje, tenho postura e olhar já bem diferente para com os alunos e professores. Este trabalho exige que eu saiba ouvir, respeitar as individualidades, refletir em cima das atitudes de cada um. Há sempre uma palavra, uma experiência a ser trocada, um alento, que cada vez mais vem fortalecendo nosso relacionamento e o desempenho de todos os alunos na nossa escola. (Neusa, Professora de POIE)

 

Cada professor tem o seu estilo de ensinar, a sua metodologia de trabalho. Não privilegiei o estilo dos autores e nem as propostas mais recentes como o construtivismo. Preferi que cada educador encontrasse o seu estilo de trabalhar.

 

No início da assessoria, ficava angustiada após as reuniões, quando via que precisava mudar minha postura, mas refletindo fui percebendo que a Dra. Leny estava certa e que realmente eu precisava mudar a prática da coordenação sem mudar meu jeito de ser e de tratar as pessoas. Acredito também que para trabalhar com adultos e crianças seja preciso obter a confiança deles, acreditar que eles são capazes, elevar a auto-estima e fazer com que eles percebam que você está junto para ajudar, não apenas para apontar as falhas, mas principalmente visar o seu progresso e mostrar que as pessoas aprendem umas com as outras.

A troca, a amizade, a solidariedade e o amor por aquilo que se faz, nos leva a alcançar os nossos objetivos e o principal deles é a inclusão de todos, para uma sociedade mais justa, mais humana e mais fraterna. (Cleuza, Coordenadora Pedagógica) .

 

Há um traço que permeia a atuação de praticamente todos os participantes da escola: a vontade de auxiliar o outro, de também instaurar nele a transferência de trabalho.

 

A visão e a fala de cada um, são de fundamental importância para todos nós, pois faz com que cada vez mais possamos desenvolver uma escuta mais apurada do outro que é nosso parceiro, seja ele aluno, professor, funcionário, pai, fazendo com que possamos viver as diferenças de forma mais plena. Em outro sentido, a contribuição de cada um é importante para que possamos estar constantemente reavaliando nossas ações, coletivas e individuais. Institui-se na escola, "o dar a palavra as pessoas", para que as mesmas digam o que desejam.( Arlete, Diretora)

 

A escola tem trabalhado de uma forma conjunta: professores, equipe técnica, funcionários, pais, alunos e comunidade. Um trabalho que continua seguindo uma orientação dupla: coletiva e individualizada. São feitas reuniões de grupo e encontros individuais.

O que mudou? O clima da própria escola.

 

Podemos observar profundas mudanças no contexto da escola :

a escola tem um papel educativo junto às famílias e a comunidade, em prol da educação para todos.
Todos enfrentam os problemas da escola como instituiçãi e trabalham para a superação dos mesmos, visando atingir os objetivos propostos.
Os professores trabalham com seus alunos levando em conta a dificuldade, a emoção, a afetividade, a vivência, a organização. Com isso, os alunos se sentem como peça importante no processo de aprendizagem.
Os professores conseguem articular o conhecimento e o saber numa prática mais coletiva e solidária, adequando os conteúdos e construindo o saber com as experiências dos alunos e da realidade. Com isso, o interesse é despertado e a aprendizagem muda.
Houve uma mudança no olhar e na atitude diante dos alunos mais pobres, compreendendo as suas dificuldades e adequando-os nas suas experiências de vida.
O projeto ajudou a fortalecer o indivíduo para lidar com desafios da aprendizagem, todos os dias, no acesso e permanência do aluno na escola, bem como na qualidade do ensino.
O professor perdeu a arrogância de "dono da verdade" e deu lugar ä criatividade e ao diálogo, diminuindo os conflitos e a agressividade.
Algumas vezes, diante da indisciplina deixamos o poder autoritário da punição, pela orientação e o diálogo.
Houve uma mudança na prática pedagógica. De questionário, livro didático, aula expositiva passou – se para pesquisa, trabalho em grupo, leitura diversificada, salas ambientes, aprendizagem individual com construção do saber.
Uma comunidade que participa das decisões, em conjunto, integrando de forma articulada os seus interesses.
Os professores hoje, tem mais autonomia para adequar os seus programas curriculares às suas classes, não mais se preocupando em vencer o que foi programado, a qualquer preço, pois ele sabe que haverá continuidade do trabalho no ano seguinte.
Os pais entendem que cada criança tem o seu jeito e o seu ritmo de aprendizagem, desaparecendo a desastrosa palavra taxativa : aluno fraco. (Carmem, Assistente de Diretor)
 

Antes do projeto havia mais dificuldades e eu entrava em angústia. Hoje, a escola está mais humanizada, há um tratamento especial para cada um. Abaixou a minha ansiedade. Os relacionamentos são melhores entre todos. Desafios? O não aceitar as transformações, já ficou para trás! Este é o desafio! Sobre o trabalho em sala de aula, é feito no coletivo da classe, levando em conta cada aluno, naquilo que ele é capaz( Terezinha, professora).

 

Para mim, o que mudou foi a maneira de olhar o aluno e encaminhar situações de aprendizagem. Um dos maiores benefícios que o projeto trouxe é o acolhimento do aluno e da comunidade. O maior desafio é aprender a aprender sempre. Encontro sempre dificuldades, pois a diversidade dentro da sala de aula é muito grande, mas a reflexão sobre o que acontece em sala de aula, vai me dando subsídeos para uma prática cada vez mais compromissada com a inclusão. ( Ivone, professora)

 

Uma das preocupações maiores do projeto, devido à sua orientação psicanalítica, é evitar cair em um delírio interpretativo. Os participantes do projeto são sempre instados a perguntar e não a dar a resposta, a escutar mais do que dizer, a investigar o que está acontecendo com o aluno, e não a supor que ele funciona ou se estrutura de determinada forma.

 

Há uma preocupação bastante grande por parte de todos nós, em não mais "interpretarmos" o aluno. Os referenciais psicanalíticos lacanianos nos têm possibilitado perceber o engodo da crença na comunicação direta entre aluno e professor. Cada um apresenta o seu circuito específico.

Hoje, percebemos que a criança, o aluno, não está na imagem tecida pelo professor, e vice-versa. Ambos estão em outro lugar. Por isto, o cuidado é não confundirmos a imagem que o professor tem da criança com a própria criança. Para que a criança seja acessada, é preciso um trabalho constante de observação e de escuta da sua fala. Ela mesma é quem vai dizer quem é e o que deseja. ( Arlete, Diretora)

 

 

Embora certos termos não sejam utilizados no projeto como auto – estima, é bastante comum os educadores utilizá-lo. Eles estão sempre preocupados com as crianças que apresentam baixa – estima, as crianças que não conseguem acreditar nelas mesmas. Os chamados maus alunos, principalmente aqueles que não vêem possibilidade de mudança. Das crianças que parecem não ter mais um caminho pela frente.

 

Outro aluno que preciso citar é o Jurandir. Que trabalho me deu! Ele é de um mau humor incrível. Ficava emburrado consigo mesmo por não conseguir realizar as tarefas propostas. Tinha sérias dificuldades de aprendizagem, era um aluno multi-repetente. Foi difícil fazer com que ele acreditasse que era capaz. Tinha medo de errar e de ser recriminado, repreendido diante dos colegas. Com isso, se fechava cada vez mais, ao ponto de acreditarem que ele não tinha condições de aprender, que ele tivesse uma deficiência mental. A partir de um trabalho totalmente individualizado, gradativamente passou a acreditar na sua capacidade e a fazer as atividades, ler e compreender. Foi perdendo o medo de expor as suas idéias e começou a fazer perguntas em sala de aula. Hoje está terminando a 4a. série e está indo bem.

Este ano, tenho um aluno de 4a. série, daqueles que costuma desistir, que não quer saber de nada, desinteressado, desacreditado. Descobri que ele adora dançar e, a sua participação num trabalho extra-classe, de dança, desenvolvido por uma colaboradora da comunidade, tem ajudado muito na sua mudança. Percebo um certo prazer em estudar e em estar na escola, fora de seu horário, para os ensaios. Vejo em seu olhar um brilho de alegria, parece que ele se sente mais feliz. (Darcy, Professora)

 

Um traço, um significante, uma palavra basta para o aluno encontrar o seu caminho e desencadear uma transferência de trabalho no aluno.

 

Hoje pude ver o quanto a Educação Inclusiva ajudou a mim e aos meus colegas da "General Osório". Quanto a colocar o aluno "fora da sala", aprendi que com isso só estarei perdendo a oportunidade de conhecê-lo melhor, porque a atitude dele "não aceitável" é a única forma que ele tem de dizer que "eu não estou bem", "olhe para mim", "converse comigo", "preciso de você". Chamar a mãe para resolver o problema do aluno com o professor,não adianta. A mãe diz que não "aguenta" mais o filho. É o professor que deve perguntar ao aluno " os porquês" dele estar agindo daquela determinada maneira e, juntos ( professor, aluno, pais, direção), tentar entender e intervir na situação. Mas tudo isso com muito afeto. O aluno tem que perceber que o professor está do seu lado, mas que tudo depende dele mesmo. O professor deve aceitar o aluno conhecendo-o mais, identificando o que o aluno já saber, para partir daí. Dar oportunidades para o aluno desenvolver o máximo do seu potencial. O professor deve estar junto ao aluno para ajudá-lo a encontrar as saídas, tantas vezes quantas forem necessárias, porque não podemos deixar as coisas passarem desapercebidas e se avolumarem, porque se tornarão como uma árvore com o tronco que não poderá mais ser abraçada. ( Terezinha, Professora)

 

 

É preciso que o professor escute o que a criança tem para dizer, sem tentar interpretar o que está sendo dito, isto é, sem atribuir-lhe um sentido prévio, uma significação. Sem tentar dar a resposta que ele acha que a criança necessitaria. Assim como também é importante escutar a família, a comunidade, os funcionários, etc.

 

Aprendi que cada indivíduo é um ser singular, com suas vontades, necessidades e potencialidades próprias e que devemos respeitar o seu ritmo de aprender. Com a criança portadora de necessidades educativas especiais, o trabalho é individualizado, com muita conversa, para que ela tenha confiança e segurança no professor. Não é fácil este tipo de trabalho, pois temos muitas crianças em sala de aula e cada uma com suas necessidades. Nós, professores, queremos o progresso imediato do aluno, mas na maioria das vezes, o progresso é lento. É preciso ficarmos alegres com o menor avanço que a criança apresente. Tenho algumas dificuldades em sala de aula, mas acredito que, com boa vontade e suporte técnico, tudo fica mais fácil. O professor precisa e deve ser ajudado na sua tarefa, como é preciso que a família participe e acompanhe a vida escolar da criança.

A Dra. Leny, conjuntamente com a Diretora da Escola, tem desenvolvido um trabalho com a comunidade, a respeito deste compromisso entre a família – aluno – escola – professor. O projeto é toda a escola, por isto todos devem estar envolvidos. ( Silvana, Professora)

 

 

Esta "nova" prática tem transformado a relação professor- aluno. Das formas prévias de conceber o aluno e a Educação, passamos à possibilidade de construir a relação professor – aluno, mais direcionada para o registro do real, e menos para o imaginário e simbólico. Em outras palavras, saimos de uma prática estigmatizadora, para uma prática que leva em conta os sujeitos, com as suas possibilidades, com os seus limites, com as suas diferenças. Quero dizer com isso, que não há mais o aluno "deficiente". O que visamos é que nenhuma criança seja encaixada nos modelos previamente estabelecidos. Constatamos que todos os sujeitos têm necessidades educativas especiais ( Arlete, Diretora)

 

O projeto exigiu e exige de mim muito mais enquanto pessoa e educadora: é necessário estudar, ler, selecionar materiais diversos ( às vezes, para um aluno da sala de aula, mas que todos possam depois usufruir da sua atividade), e uma preocupação constante com a aprendizagem de cada um. Mesmo estando ainda bastante envolvida no projeto, há ainda situações em que me sinto insegura. Nessas ocasiões, me sinto à vontade para procurar a coordenação pedagógica, a direção, a Dra. Leny e comentar sobre possíveis procedimentos a serem adotados (Ione, Professora)

 

Quando iniciei o projeto, o índice de retenção era de 35% dos alunos. Atualmente este indicador encontra-se em menos de 6% ao ano.

 

O projeto tem se mostrado eficiente, se é que posso usar este termo, para todas as crianças na escola, sejam elas portadoras de necessidades educativas especiais ou não. Além disso, pode ser citado;

respeito pelas "coisas da escola". É uma escola de periferia, que funciona em um prédio de quase 30 anos, carente de reformas, e não temos tido depredação ou atos de violência de fato, por parte dos alunos ou da Comunidade. ( Arlete – Diretora)
 

 

Um dos dados mais interessantes é o clima de cordialidade que se implantou na escola depois do projeto.

 

A partir das reuniões da Dra. Leny o grupo docente ficou bem mais amigo, trocando experiências, materiais, querendo ajudar uns aos outros.( Silvana, Professora)

 

O projeto trouxe um entrosamento maior entre todos nós : alunos, professores, direção, coordenação, funcionários, pais. A inclusão resgata o valor da solidariedade e da cooperação. (Margarette, Professora)

 

Para mim o que mudou foi a maior integração de todos os que participam da escola. ( Suely, Professora)

 

 

Os alunos também percebem as diferenças em relação ao Projeto de Educação Inclusiva e Psicanálise:

 

Acho a inclusão um grande passo para a nossa escola ( Jonathas, 8a. série).

 

Acho que o portador de deficiência tem o mesmo direito de todos. Não é porque ele está em uma cadeira de rodas que não pode fazer as coisas. O projeto está dando oportunidade para as pessoas diferentes ( Rafael, 8a. série).

 

Acho um grande passo para a nossa escola! Está sendo admirada por todos. Inclusão é amor, carinho, respeito, humildade ( Jonathas, 8a. série).

 

Para falar a verdade, nós não vamos ganhar nada, nós vamos é aprender o que não sabemos! Quem tem deficiência aprende com quem não tem e quem não tem aprende com quem tem ( Priscila, 8a. série).

 

Incluir é assim : uma vez na classe chegou um aluno novo e toda a classe o aceitou! ( Leonardo, 6a. série).

 

É fazendo novas descobertas que conseguimos ser felizes, que conseguimos a cada dia nos renovar e acreditar. Ter esperanças de que podemos construir um mundo melhor, que não exclui! ( 6a. série).

 

Todos devem ser incluídos na sociedade: ricos, pobres, negros, brancos, deficientes, etc ( Georgia, 6a. série).

 

Eu sou um exemplo de deficiência de visão e mesmo assim estou incluído! (Adriano, 6a. série).

 

Tenho aprendido a aceitar as diferenças! Não temos o direito de discriminar ninguém! (Stephanie, 6a. série).

 

Acho que estamos fazendo a coisa certa! ( Jessica, 5a. série).

 

É legal porque cada professor tenta ajudar o aluno a se desenvolver! (Lucas, 5a. série).

 

Incluir é ter coragem! ( Paulo Ricardo, 5a. série).

 

A gente vai aprender a dar mais valor a nossa vida e vamos ganhar muito com pessoas diferentes! Inclusão é esperança! ( 5a. série).

 

Todas as pessoas merecem respeito na sociedade – isso é inclusão! ( Marcelo – 5a. série).

 

Inclusão é compartilhar nas diferenças! ( Jurandir, 5a. série).

 

Incluir é fazer um trabalho com a comunidade! ( Robson, 7a. série)

 

Acho maravilhoso o trabalho que a nossa escola está fazendo e também serve de lição para os que não aceitam as pessoas diferentes. ( Karina, 7a. série).

 

Como os pais vêem o projeto? Eles participam ativamente da escola, eles também fazem parte do projeto.

 

A Educação Inclusiva, para mim, tem sido importante porque estou participando, assim como outros pais também. A gente está tendo uma outra visão da aprendizagem, acho que mais concreta. Os alunos aprendem com mais facilidade. Os professores também, de modo geral, estão aprendendo a trabalhar melhor, especificamente com cada aluno, e também, está sendo bom para todos nós, porque os alunos não vão ter mais repetência. Como já não estão tendo. Eles vão aprender realmente cada matéria com mais empenho e dedicação. A Educação Inclusiva é muito importante para todos nós: pais, professores e alunos, nós temos muita coisa para aprender.

A escola não pode tomar a responsabilidade do projeto só para ela. A Comunidade, a sociedade de modo geral, tem que estar também envolvida. Antes, eu colocava a culpa pelos fracassos nos professores e diretores de escola. Agora não, vejo que a participação no Conselho de Pais pais é muito importante para o desenvolvimento dos nossos filhos na escola, em casa, na sociedade. Não podemos jogar a culpa pelo fracasso da educação, nos alunos, pais, professores, no governo. A responsabilidade é nossa, de todos.

(José da Guia, Pai de aluno, Membro do Conselho de Escola)

 

Em primeiro lugar, quero dizer que estou muito contente de estar participando do projeto da escola e tenho que dar os parabéns à escola também. Eu tenho acompanhado a escola, desde que as minhas filhas entraram no 1o. ano. Eu deparo com uma evolução muito grande da escola. Tenho certeza que este projeto, tem tudo para dar certo, pois o que nós precisamos mesmo, é tomar conhecimento de tudo, saber o que está acontecendo, para falar para as outras pessoas que ainda não sabem o que está acontecendo na escola. A hora que mais pais amadurecerem para o projeto e entenderem a importância de estarmos aqui, vão conseguir trabalhar melhor com a própria famílai, com os parentes, amigos, vizinhos.

Acho que as pessoas de um tempo para cá, estão se conscientizando do que é realmente se trabalhar de dentro para fora. É o carinho, o amor que você encontra a cada momento que você entra na escola, do pessoal da equipe. No início do projeto, eram poucas as pessoas que davam este tipo de atenção, hoje se percebe que isto se ampliou. Todas as pessoas que estão envolvidas no projeto, a gente percebe, que trata a todos de maneira diferente. A gente percebe que entre as crianças também está acontecendo o mesmo, no relacionamento entre ela se tratam com mais carinho e a agressividade começa a tomar uma certa distância. Precisamos falar mais do nosso projeto. Estamos todos aprendendo a dizer para as crianças, sejam quais forem: "Puxa, você é diferente de mim e eu sou diferente de você, seja bem vinda, sem exclusão." ( Sueli, Mãe de Aluno, Membro do Conselho de Escola)

 

Educação Inclusiva para mim é um grande projeto, não só para a escola, mas para a comunidade e a sociedade em geral, onde há vários tipos de preconceitos.

A mudança que está ocorrendo é muito grande, pois existe mais compreensão e solidariedade entre os próprios alunos, que ao invés de deixar de lado os problemas dos colegas, procuram ajudá-los. A escola respeita a singularidade de cada um, e o relacionamento entre todos, gera entusiasmo, fazendo com que todos trabalhem com o mesmo objetivo. Tudo isso faz com que os alunos que possuem maior dificuldade, se sintam respeitados, importantes e, acima de tudo, incluídos, o que permite um melhor desenvolvimento escolar e psicológico.

Como membro do Conselho de Escola, me sinto orgulhosa em participar do projeto, participando também as palestras e reuniões, e podendo através do que estou aprendendo, me dedicar a tudo que envolve a nossa comunidade. Para aqueles que buscam uma sociedade melhor, vejam o trabalho da nossa

escola: a semente foi semeada e, com certeza, serão colhidos bons frutos.

( Cleide, mãe de aluno, Membro do Conselho de Escola)

 

As reuniões de assessoria são abertas a todos: alunos, pais, comunidade em geral, parceiros do projeto, sem falar é claro, nos professores, equipe técnica, funcionários, direção,etc. Tomo cuidado para que a apresentação de conteúdos seja bastante acessível a todos. O clima é de liberdade. Todos podem perguntar, relatar as suas experiências, apresentar as suas dúvidas, fazer outras considerações. Com isto, percebi que o salto entre os referenciais técnicos e teóricos e os referenciais práticos dos participantes do projeto parece ter diminuido. Eles conseguem revelar com maior facilidade o que tem acontecido com eles.

Além disso, convido os participantes do projeto a assistir aos cursos que dou na USP. Tenho muitos professores e membros da direção e equipe técnica me acompanhando desde o início do projeto. O que revela um desejo de saber bastante sustentado.

Muitos professores voltaram a estudar. O mesmo acontecendo com funcionários e pais. Alguns professores iniciaram a pós-graduação. Outros estão pensando em fazê-lo.

O Projeto de Educação Inclusiva e Psicanálise também atingiu a outros membros da Escola. Duas dentistas e uma atendente que já tinham experiência prévia nos aspectos referentes às questões de Saúde e Educação resolveram se acoplar ao projeto.

 

Quando começamos a trabalhar na escola em 07/1996, ainda tinhamos um pequeno estoque de material básico para atuar nas áreas curativa e preventiva. No final de 1997, já tivemos que contar com a ajuda financeira da APM da escola na compra de material, a fim de não paralisar o atendimento dos alunos.

Montamos então um Projeto Odontológico Preventivo e Curativo, cujo financiamento seria captado através da colaboração dos pais e de parcerias com a iniciativa privada. No entanto, com relação a este último aspecto, não conseguimos levar adiante o projeto pelas dificuldades de viabilizarmos parcerias. Ao mesmo tempo, a APM já não tinha condições financeiras de manter o consultório odontológico. No mesmo ano, iniciou-se na escola o Projeto de Educação Inclusiva. Estávamos com dificuldades para realizar o nosso trabalho, sem diretrizes dentro da PMSP, o que nos motivou a integrar o projeto, com possibilidade de ampliar nossos horizontes na Educação.

Inicialmente nossa participação foi pequena e interessou-nos o desenrolar do processo de mudança de visão dos participantes.

O projeto, desde seu início, contemplava a participação dos pais nas reuniões e palestras. Estes foram conhecendo mais a escola de seus filhos. Nesses momentos conheceram também as condições do nosso consultório e começaram a se interessar pela continuidade de nossas atividades. Surgiu uma comissão de pais com propostas concretas para a manutenção do atendimento odontológico. Isso nos forneceu novo ânimo para o trabalho. Começamos a nos organizar com o grupo e foi criado o Projeto Odontológico que trouxe novos recursos financeiros para o consultório. Até o momento conseguimos a doação de uma cadeira odontológica e a troca por uma nova ponta de alta rotação e a aquisição de uma seringa tríplice que melhorou muito a qualidade do atendimento. Tivemos a compra dos materiais básicos para tratamento curativo que foi estendido a todos os alunos da escola, onde conseguimos atingir 350 tratamentos concluídos, apesar de vários atropelos durante este último ano. O tratamento preventivo continuou com a compra de saquinhos de flúor e as palestras ministradas nas salas de aula. Tivemos ainda a Semana Odontológica, com a exposição realizada na Feira Cultural da escola.

Durante esse período continuamos a acompanhar as reuniões do projeto e nos familiarizamos com os conceitos de Educação Inclusiva e Psicanálise. Isto facilitou nosso relacionamento com os professores e a equipe técnica, e permitiu maior integração. Também aprimoramos novas maneira de abordar e nos relacionar com os alunos, no sentido de conseguirmos maior colaboração durante o tratamento.

Sentimos que nossa convivência na escola se tornou mais ampla e agradável. Entendemos que a inclusão nem sempre é atitude simples e que exige interiorização de conceitos novos e mudanças de antigos; e isso acontece de forma lenta, com sucessivas idas e vindas. Também percebemos que, com a inclusão de todos os segmentos envolvidos na escola( alunos, pais, professores, pessoal administrativo, operacional e dentistas), na discussão e realização das diversas atividades da escola, conseguimos resultados mais efetivos e duradouros. ( Márcia e Isa, Dentistas)

 

 

De uma escola de 689 alunos, foram atendidos, neste esquema, a mais de 350 casos. Um fato inédito em escolas públicas. O tratamento só parou porque as dentistas – após terem batalhado muito para conseguir um gabinete novo – foram chamadas pela Secretaria Municipal da Saúde e retiradas da escola.

Foram feitos abaixo-assinados da Comunidade, da escola, etc, mas nada adiantou. Uma perda irreversível para a escola, para a comunidade, para todos, principalmente para as crianças.

A legislação atual impede que projetos como este recebam tratamento especial. As dentistas foram chamadas, muitos professores foram obrigados a se transferir para as outras escolas devido à sua estruturação de carreira. Tais processos fazem que, a cada ano, se tenha que recomeçar do zero o projeto com professores novos, o que atenta contra as necessidades da comunidade. Por exemplo, é bastante comum os professores novos ainda apresentarem um olhar que é impossível implantar a Educação Inclusiva, entrando em choque com os professores mais antigos.

 

Há muito tempo os profissionais da educação questionam-se a respeito da exclusão. Primeiro quanto àquelas crianças que não tiveram oportunidade de acesso às escolas, por motivos diversos. Segundo, aqueles que freqüentaram a escola por anos e anos e repetiam a série e, muitas vezes, evadiam-se dela. Agora fala-se em educação inclusiva. No meu entender isto refere-se a inclusão de todos na escola, desde alunos das mais diversas condições físicas, cognitivas, sociais, econômicas, até a todos que participam da comunidade educativa, como funcionários, professores, coordenadores, assistentes, diretores, pais,tios, avós, irmãos, etc.

Porém, o que eu venho sentindo é que este discurso ainda encontra-se no plano do "ideal". A escola, como instituição educacional, ainda não está preparada para a prática da educação inclusiva. Estamos vivendo um período de transição, e por isso, de conflitos, entre aquela escola tradicional e a tão sonhada escola democrática. Não temos ainda estrutura física, nem humana para vivenciar, na prática, a educação inclusiva. Por isso é que dependemos do esforço de todos aqueles que estão comprometidos com uma educação que tenha como prioridade o respeito ao próximo e às diferenças, a busca por um país mais justo e menos desigual, o resgate da cidadania e a valorização do ser humano.(Simone, Professora)

 

Como é possível perceber, para esta professora a Educação Inclusiva ainda é um "ideal", algo que não pode ser atingido. Para os professores que estão vivenciando o projeto, ela já faz parte do real da escola, com o qual eles convivem diariamente. Um real dos educadores que não se reduz ao real prévio e nem ao real de cada um. Um real que emerge como um grande painel, construído por todos, revelando o que tem sido tecido na escola. Um real que se reconstrói a cada momento.

 

Quando comecei a trabalhar na EMEF General Osório, em 1998, tomei ciência do Projeto de Educação Inclusiva, que havia na escola desde 1997. Ficava angustiada ao constatar que alguns alunos não conseguiam aprender, ficava muito ansiosa e, me questionava muito sobre a minha competência profissional. Por quê será que ele não aprende? Será que sou eu que não estou sabendo passar para o aluno o que quero que ele saiba? O que fazer, como fazer? Era conflito meu, só meu.

A partir das reuniões com a Dra. Leny, em grupo, notei que todos os professores têm seus conflitos e, querem com urgência uma receita para solucionar os problemas de aprendizagem de alguns alunos. A partir do projeto o grupo docente ficou bem mais amigo, trocando experiências, materiais, querendo ajudar uns aos outros. (Silvana, Professora)

 

Comecei no projeto de Educação Inclusiva em 1998. A primeira reação que tive foi de medo, pois pensava que só receberia alunos com deficiências físicas e/ou mentais.

A partir das reuniões fui refletindo sobre os alunos com necessidades educativas especiais e percebi que eles já estavam lá, e eu não sabia, no dia a dia da escola. Eram aqueles alunos deixados de lado pela professora, pelos colegas, pela família, que não se compreendiam e não se viam com bons olhos, a ponto de estragar seu próprio desenvolvimento cognitivo.

Também, a partir das reuniões com a Dra. Leny, passei a rever minha postura enquanto educadora e a aceitar que eu também estou aprendendo ainda. Ressalto também o respeito que o projeto tem com cada professor, na medida que não impôs condutas padronizadas de metodologia, cada um ensina do seu jeito, mas tendo sobre si e sobre o aluno, um olhar mais cuidadoso sobre as falhas, os avanços, as habilidades, compartilhando com o grupo de professores, as experiências de sala de aula e, possibilitando, momentos de troca, sem medo de críticas porque, com certeza, haverá no ano seguinte, continuidade do trabalho com os alunos.(Ione, Professora)

 

E o aspecto cognitivo ? Ele vem se ampliando cada dia mais na escola. Alguns dos projetos apresentados na escola nos dois últimos anos: Horta na Escola, Capoeira com o Mestre Beto, Oficinas sócio – educativas como espaço de inclusão, Pesquisa: Quem é o aluno do General Osório – ano 2000, Contos de Fadas, Música na Escola, Conhecendo o seu Bairro, Poesia na Escola, Boi Bumbá – Valorização do Folclore Brasileiro, Conhecendo quem trabalha na Escola, Construindo com Informática.

Merecem destaque especial alguns projetos específicos: a realização do cd-room Memórias – Resgate da História do General Osório, feito a partir de um levantamento histórico estabelecido pelo professor Cláudio de História e seus alunos. A peça de teatro de Bertold Brecht – Aquele que diz sim, aquele que diz não – apresentada pelo prof. Sílvio e os alunos de 5a. e 7a. série, realizada no Teatro Santos Dumont em São Caetano, que contou com a participação da escola inteira: direção, equipe técnica, pais, professores, alunos e funcionários das escola. O teatro ficou lotado. Para alguns foi o primeiro momento em que assistiram a uma peça teatral.

Um dos aspectos mais interessantes do projeto : os professores criam, a cada dia, novas formas de trabalho mais próximas dos alunos.

 

Dentro do Projeto tenho um subprojeto para a área de Português. Ele visa trazer vida, envolver e incluir o maior número de alunos possíveis interessados no processo de aprendizagem.

Como a Língua Portuguesa é dinâmica, flexível e rica, gosto de trabalhá-la em sala de aula também desta maneira. Procuro criar atividades para serem desenvolvidas por eles, que dinamizem as aulas e que não caiam na monotonia e na mesmice. A flexibilidade surge a partir das reflexões do que se deve ou não mudar ou acrescentar na atividade específica, para facilitar a aprendizagem e a motivação, levando-se em conta as diferenças.

A riqueza acontece, quando o aluno cria um texto escrito ou oral, desenha, dramatiza, canta e aplica o aprendido nas atitudes cotidianas. O importante é levar em conta esses aspectos da Língua Portuguesa e mais as questões éticas de respeito e responsabilidade.

Exemplo de um pequeno projeto desenvolvido nas 5as. séries no início do ano 2001:

 

Projeto Ética

Atividades desenvolvidas em sala de aula

Texto: "Ë importante ter um bom começo" - Leitura silenciosa e também coletiva
Estudo do vocabulário do texto.
Desenho e pintura dos personagens do texto – Lobo mau e os três porquinhos.
Dramatização, dando ênfase às atitudes dos porquinhos em relação à ética.
Ditado feito para os alunos com um pequeno comentário sobre as atitudes do porquinho Prático e nossas atitudes diárias.
Trabalho em grupo: discussão e registro de atos praticados em casa, na escola, etc.; em relação à ética, à responsabilidade de cada um na construção de um mundo melhor.
Painel de todos os grupos para a discussão e a construção de um texto coletivo .( Dulce Wilma, Professora)
 

Este projeto tem como prioridade e objetivo final, resgatar parte da memória do Bairro de Vila Califórnia, através de depoimento dos moradores, fotografias, documentos escritos. Entendemos que a realidade tem exigido novas atitudes no processo de ensino-aprendizagem, e diante do clima da escola com o Projeto de Educação Inclusiva, apresentei para os alunos e a Comunidade esse trabalho que se propõe a criar uma outra dimensão de relacionamento entre escola e comunidade. É um trabalho de pesquisa, que deve propiciar a construção de saberes individuais e coletivos a respeito da comunidade e da própria história em sentido amplo. – Projeto Memória da Vila Califórnia ( Agvan, Professor)

 

Os professores estão continuamente modificando o conteúdo de aula, transformando a aprendizagem em algo dinâmico e rico. Os alunos já fizeram excursão à Casa do Bandeirante, ao Museu do Ipiranga, etc.

O trabalho com os pais tem sido a grande luta da diretora, que com isto tem conseguido um número cada vez maior de pais participando da escola e do Conselho de Escola. Não apenas nos momentos em que são chamados para saber dos resultados de seus filhos, mas para troca constante com os professores e a equipe técnica da escola.

 

 

Esta nova Educação Inclusiva, para mim, tem sido muito importante porque estou participando e tem outros pais participando também. A gente está tendo uma outra visão de aprendizagem, acho que mais concreta. Os alunos aprendem com mais facilidade. Os professores também, de modo geral, estão aprendendo a trabalhar melhor, especificamente com cada aluno, e, também, está sendo bom para todos nós, porque os alunos não vão ter mais repetência, eles vão aprender realmente cada matéria com mais empenho e dedicação. A Educação Inclusiva é muito importante para que todos nós, pais, professores e alunos, temos todos muita coisa a aprender. (José, Pai de aluno e membro do Conselho de Escola)

 

 

 

Como a comunidade vê a Escola? O relato dos pais explicita bastante este processo.

 

Com todas as dificuldades que enfrentamos, percebo que a comunidade vê a escola se desenvolvendo bem, vê a escola com olhos diferentes. Temos uma diretora efetiva, isto é muito importante, e uma equipe que está mostrando realmente muita paciência para que cada caso seja visto e tratado de maneira especial. Muitos pais, quando os filhos terminam a 8a. série, dizem, "Que pena que o tempo já passou". ( Suely, mãe de aluno e membro do Conselho da Escola).

 

Como membro do Conselho de Escola, me sinto orgulhosa em participar do projeto, participando também das palestras e reuniões e podendo através do que estou aprendendo, me dedicar a tudo que envolve a nossa comunidade. Para aqueles que buscam uma sociedade melhor, vejam o trabalho da nossa escola: a semente foi semeada e, com certeza serão colhidos bons frutos.

(Cleide, mãe de aluno e membro do Conselho)

 

Várias foram as parcerias instauradas ao longo do tempo:

 

Com o Centro da Juventude do Bairro
Com o Centro Desportivo Municipal
Conselho Tutelar da Vila Prudente
Administração Regional da Vila Prudente
Igreja Católica do Bairro
Pais de alunos
 

As parcerias com a Igreja Católica e o Senai da Vila Prudente, merecem um destaque maior. O prédio da escola tem sido usado no período noturno para o TeleCurso de 1o. e 2o. Grau, aberto à Comunidade, Curso de Inglês aos sábados, dirigido às crianças, frequentado tanto por alunos da escola como por alunos das escolas da região.

Outra parceria importante foi estabelecida com o Hospital Dia de Saúde Mental de Vila Prudente, para encaminhamento dos alunos da escola que necessitam de avaliação e acompanhamento psiquiátrico. Em nenhum momento, os alunos foram afastados da sala de aula, ao contrário, tentou-se fortalecer o lugar da criança na classe e trazer sua família para uma participação mais efetiva na escola. Foram recebidos também alunos do Hospital Dia.

 

O Hospital Dia em Saúde Mental para crianças e adolescentes apresenta uma equipe multidisciplinar que atende a menores de 3 a 17 anos, portadores de transtornos mentais : psicose infantil, autismo infantil leve, neurótico grave, em regime de internação dia, permitindo que os mesmos mantenham vínculo familiar durante a noite e finais de semana.

Todos os momentos no HDA são terapêuticos e além do tratamento específico, desenvolve-se grupos de recreação, socialização, higiene e atividades de vida diária (AVD), havendo também suporte aos pais através de reuniões mensais de Orientação Familiar ( OF), para que possam funcionar verdadeiramente como auxiliares eficazes no tratamento desenvolvido e inclusão social de seus filhos.

No início do ano letivo de 1999, alguns pais nos procuraram comunicando haverem conseguido matrícula para os seus filhos em classes especiais na Rede Estadual, em classes regulares da Rede Municipal de Ensino e em escolas particulares especializadas e, ansiavam por orientações para a inserção escolar de seus filhos.

Considerando que a maioria das crianças em tratamento tinham idade cronológica para frequentar escolas, mas esbarravam nos preconceitos por serem diferentes nos seus comportamentos, resolvemos buscar nas escolas circunvizinhas aquelas que nos abrissem as portas para receber estas crianças.

O Hospital está situado na região das escolas da DREM 8 ( Delegacia Regional de Educação Municipal 8) , e através do contato com a Supervisão, encontramos uma escola desenvolvendo um projeto de Educação Inclusiva, pioneiro na Educação Municipal, sob supervisão da Dra. Leny Magalhães Mrech.

A escola estava disposta a aceitar as nossas crianças. Houve inicialmente através da sua Diretora – Sra Arlete Persoli – troca de informações e a liberdade de conhecer os trabalhos desenvolvidos na escola, foi estabelecida uma parceria de colaboração e apoio mútuo entre os profissionais envolvidos.

Por acreditarmos na importância dos pais como elo de ligação entre Escola/Hospital, um trabalho de suporte técnico foi executado para que os mesmos soubessem lidar com os problemas que teriam que enfrentar na inserção escolar de seus filhos, esse mesmo suporte foi dado à escola, para que pudesse superar as dificuldades de adaptação das crianças psicóticas no meio escolar.

Um dos pontos em comum entre as instituições é a busca da inserção escolar e social das crianças na comunidade e a inclusão e valorização da criança na sala de aula, desenvolvendo suas potencialidades dentro das possibilidades de cada uma.

Participamos de reuniões do Conselho da Escola, procurando desmistificar o preconceito com os doentes mentais, esclarecer os diversos tipos de patologias e conscientizar que todos se beneficiam com o convívio nas diferenças, pois a criança é diferente mas não é desigual e a atitude de inclusão contribui para uma sociedade mais plena e aberta. A parceria mostrou-se produtiva, havendo uma grande colaboração e cooperação de todos os envolvidos, fazendo com que o objetivo da inserção e aprendizado fosse conseguido através desta escola com o Projeto de Educação Inclusiva, sendo a única escola inclusiva da Rede Municipal e com a qual tivemos a oportunidade de desenvolver uma ação conjunta Saúde/Educação. Esta parceria veio ao encontro das nossas expectativas e das necessidades das crianças envolvidas.

Esperamos que assim como a EMEF General Osório vem se empenhando para a efetivação da educação inclusiva, orientando e dando suporte técnico aos professores que assumem as salas de aula, muitas outras escolas também o façam, seguindo o que escolas em países desenvolvidos já conseguiram. No Brasil, as crianças que precisam de atenção especial são muitas, mas as escolas que as recebem são poucas.(Izael – Assistente Social do Hospital Dia e Márcia Regina – Pedagoga e Auxiliar Técnico Administrativo)

 

 

Infelizmente, depois de Agosto de 1999, esta parceria foi encerrada com a mudança da equipe técnica do Hospital Dia. Mais uma vez, por uma mudança administrativa, a parceria foi encerrada, a equipe técnica do Hospital foi transferida e o projeto de Educação Inclusiva e Psicanálise teve que ser reiniciado.

O papel da Direção tem sido primordial ao longo do projeto. Inclusive fazendo observações bastante precisas da diferença na forma de atuação dentro de uma vertente da Educação Inclusiva e da Psicanálise.

 

O papel do Diretor também é tecido pela linguagem, também é um lugar no discurso, a partir do qual ele fala e atua, sendo agente de efeitos geradores nos outros participantes do processo e, sofrendo também destes certos efeitos. Assim, tenho concedido a mim, como diretora de escola, a palavra e, permito-me escutar aos outros.

A Psicanálise Lacaniana, que fundamenta o nosso projeto, tem operado em mim uma transformação. O que primeiro percebi, foi a dimensão do quanto "não sei" e de quanto preciso saber, com a consciência de que a escolha deste caminho me levará a um aprender a aprender, num processo dinâmico que não se esgotará nunca, que precisará ser reelaborado constantemente. É hora de ler, de estudar muito, de tomar estes novos referenciais e, a partir daí, elaborar o meu saber, no sentido dialético, que abarque os conflitos e contradições que o processo educacional teceu e tece, dentro do contexto escolar.

Dos modelos que a Pedagogia traz como "ser – diretor" para a prática cotidiana há um fosso muito grande, que necessita ser entendido e preenchido, através de novos referenciais.

O diretor internaliza o modelo que a sociedade lhe dita, " o que dirige", "o que sabe", "o que julga", e passa a se reger por ele, numa atuação alienada, que acaba por alienar os outros participantes do processo educacional: o professor, o aluno, o pai do aluno.

O diretor precisa perceber-se também como sujeito barrado que é: ele tem limites. O seu fazer pedagógico não dá conta de dizer quem é o aluno e quem é o professor.

É difícil ao sujeito abandonar as suas certezas, descobrindo que são apenas crenças e colocar-se de outra maneira.

Esta passagem não se dá automaticamente como simples decorrência de novos conhecimentos, ela se dá através de uma escolha, que acredito ser da ordem da ética e do compromisso pessoal e social. É um processo doloroso, abandonar o mito do poder tudo, para se perceber um sujeito com incertezas, com dúvidas.

Mas as incertezas nos levam a investigar o que há por trás da imago do professor e do aluno. O que existe? É melhor que eles mesmos o digam.

É melhor dar a palavra ao aluno e ao professor e escutá-los de maneira singular, do um para o um, como diz a Psicanálise, principalmente escutar "o que não é dito". Há sempre algo que escapa. É preciso perceber quais são suas cadeias de gozo para, se possível, ajudá-los a sair da paralisação que muitas vezes eles podem se encontrar.

Faz-se necessário, com urgência, quebrar no cotidiano das escolas, o clima de desânimo e pessimismo. Instaurando em seu lugar um clima desejante. Liberar as amarras que atam professores e alunos.

O meu maior desafio, neste momento, é despertar no outro, o desejo de desatar os nós que o prendem a posições previamente determinadas, concomitantemente à sustentação do meu próprio desejo. Não tenho muitas respostas. Aliás, se é que elas existem.

Não me coloco mais na posição de "ser a representante da escola", mas de fazer parte dela, remetendo às outras pessoas a responsabilidade que lhes cabe. Isto tem feito uma enorme diferença na construção do nosso projeto.

Das minhas incertezas, uma certeza surge : a de que não há caminho para a construção de uma sociedade inclusiva, que não passe pela Educação. E, não há Educação que se faça à margem dos sujeitos.

No início, o desejo..., o meu desejo, os desejos dos outros... Do desejo à sustentação do projeto, um caminho com avanços sim, mas também com paradas e retrocessos.

Do desejar ao agir há um percurso que a consciência e a razão não dão conta de explicar. Muitas vezes, o que nomeamos como desejo, não é o que se quer. Quero dizer com isto, que desejar uma educação inclusiva e uma assessoria, implica em rever a prática, implica em olhar para dentro de si mesmo antes de olhar para o outro, assumindo as responsabilidades que cabem a cada um dentro do seu fazer na escola.

Isto é muito difícil, pois estamos sempre a procura do outro que confirme o "quanto bom é o nosso fazer". Se não tivéssemos escapado desta cilada, voltaríamos acredito, à posição "desejante" apenas no discurso, o que é muito comum entre nós educadores de rede pública, colocando no outro, aluno, pai, professor, diretor, coordenador, supervisor, na estrutura política, econômica e social as "culpas" pelo fracasso escolar. Em outro sentido, é hora de um debate amplo com a sociedade, a respeito da educação inclusiva. Como disse o pai de aluno, José da Guia, na entrevista, a responsabilidade pela educação é de todos nós.

É difícil fazer considerações finais sobre o projeto, pois como trabalho é uma pesquisa em andamento. Com absoluta certeza, o projeto não teria se sustentado sem a assessoria de Leny Magalhães Mrech, pelo seu compromisso com a vida e com a educação neste país. Hoje, refere-se a "General Osório" como a "nossa escola", o que nos traz orgulho e alegria.

Quanto aos relatos e entrevistas apresentadas, que não negaram em momento algum os conflitos e as contradições, posso dizer que não conseguem apreender a grandeza do trabalho realizado. A linguagem não dá conta da realidade.

Um dos nossos objetivos ao divulgar um trabalho positivo na escola pública, é despertar nas pessoas, o desejo de construir uma sociedade realmente inclusiva, deixando para você, leitor, a tarefa de dar significado a tudo que foi exposto. (Arlete, Diretora)

 

Um Projeto de Educação Inclusiva e Psicanálise é uma construção coletiva. As palavras da Arlete, seu cuidado como diretora, a participação de todos: professores, alunos, equipe técnica, funcionários e comunidade revela algo absolutamente fundamental em Educação: é possível criar. É possível ter no Brasil um ensino de qualidade. Para isso é preciso o empenho das pessoas, o desejo pela construção de algo maior.

É muito difícil transmitir por este pequeno painel a dinâmica existente na escola. O quanto existe de luta, desejo de saber, vontade de participar e de cuidado por estabelecer um trabalho de melhor qualidade.

De propósito, ao longo deste trabalho, eu não conceituei o que eu entendo por Educação Inclusiva. Ela seria apenas uma definição semântica com maior ou menor abrangência. Uma definição que tenta captar o real da Educação Inclusiva e dos educadores que sempre escapa, que sempre escorre por entre os dedos daqueles que procuram apreendê-la.

Preferi delineá-la a partir das colocações dos próprios educadores, dentro de uma vertente multidimensional onde a Educação Inclusiva aparece plurifacetada, remetendo a várias possibilidades e múltiplos encaminhamentos. Alguns professores não quiseram colocar o nome.

 

Educação Inclusiva significa incluir a todos, independentemente de suas condições físicas, neurológicas, psicológicas, etc. Este tipo de educação para mim, baseia – se em não medir esforço para fazer com que aqueles alunos com necessidades educativas especiais avancem no seu desenvolvimento de modo geral. ( Patrícia, Professora)

 

Educação Inclusiva é dar oportunidade de aprendizagem à todos. É incluir o indivíduo dentro do grupo, prestando atenção em suas potencialidades e nas suas dificuldades.

É aceitar a pessoa como ela é. Olhar com afetividade, para que se desenvolva em segurança.

Não podemos nunca comparar uma pessoa com a outra, pois, somos diferentes. (Silvana, Professora)

 

A Educação Inclusiva concebe cada aluno através das suas dificuldades, experiências, deficiências, qualidades sem permitir que ele seja comparado aos demais.

Cada um é como é, e como tal deve ser tratado.

 

Educação Inclusiva é estar aberto a críticas construtivas para melhor agir e se relacionar.

Tentar manter uma certa transparência de atitudes, o envolvimento e o compromisso com o seu trabalho. ( Darcy, Professora)

 

Educação Inclusiva é aquela que não exclui, que respeita as individualidades, que sabe valorizar o potencial de cada um, que vê o ser humano de uma forma singular e que acima de tudo respeita o limite de cada um.( Margarette, Professora)

 

Educação Inclusiva é colocar os alunos juntos compartilhando, experimentando, falando e pensando para aprender. Perceber que o outro, pode oferecer, integrá-lo do melhor modo possível ao grupo ( tanto emocionalmente, quanto em relação à aprendizagem), preservando a individualidade de cada um. ( Ione, Professora)

 

Educação Inclusiva é ver o que cada um pode dar, a medida do seu potencial, exigir cada vez mais para uma proposta que é de todos. ( Terezinha, Professora)

 

Educação Inclusiva é um processo em que o sujeito é tratado como um ser individual, levando-se em conta as suas potencialidades, porém sem discriminação , onde todos devem ter as mesmas oportunidades e participar da coletividade.

 

Educação Inclusiva, na minha concepção, é uma educação para todos, sem haver discriminação e preconceitos.

É considerar cada sujeito como um ser singular, único. É respeitar o processo de aprendizagem de cada um, mas intervindo adequadamente para que este sujeito avance mais.

É ter um olhar mais profundo em relação ao sujeito, visando conhecê-lo melhor. É procurar atender a todas às suas especificidades. ( Ivone, Professora)

 

Por Educação Inclusiva entende-se a inclusão de todos os alunos no ensino.

Por exemplo, conhecer cada elemento da classe e trabalhar, atendendo às suas necessidades. Valorizando o seu potencial e fornecendo-lhes novas oportunidades de conhecimento. ( Sueli, Professora)

 

Educação Inclusiva é a inclusão de todos do grupo, percebendo como o outro é, suas diferenças, trabalhando para que o outro cresça.

Eu vou aceitar o outro mas, ao mesmo tempo, vou ajudá-lo no que fôr preciso para que ele melhore cada vez mais.

É necessário ouvir, perceber e acima de tudo querer ajudar o outro. ( Isabel, Professora)

 

Educação Inclusiva é aquela que aceita e respeita as diversidades que cada um de nós possuímos, trabalha com a construção do conhecimento, onde cada um tem o seu ritmo. A Educação Inclusiva, portanto, para mim é a aceitação e o respeito entre todos nós. (Lúcia, Professora)

 

Educação Inclusiva é o trabalho com todos os segmentos da escola, entendendo que cada um é singular e procurando chegar ao máximo da potencialidade de cada indivíduo, sabendo de suas limitações, tentando superá-las para atingir o objetivo proposto.

 

Educação Inclusiva é incluir o aluno na educação. Fazer com que ele participe do meio em que vive, se relacionando com a Educação de uma forma mais próxima.

 

Educação Inclusiva é aquela que não faz diferenças, cada um tem o seu potencial que deve ser valorizado e respeitado, sem distinção, onde cada um é único. Sempre respeitando o limite individual.

 

Educação Inclusiva é fazer com que o educando faça parte do contexto da sociedade.

É o educador interagindo junto com o aluno para que este se sinta estimulado e incentivado para poder desenvolver-se dentro de suas possibilidades e limites.

Na Educação Inclusiva o respeito e a auto-estima do educando devem ser trabalhados, para que a partir daí ele próprio construa sua personalidade sem medo.

 

Segundo o Secretário de Educação do Município de São Paulo - Professor Fernando José de Almeida : "Nossa tarefa conjunta de educar é a de ir formando cidadãos que descubram e construam conosco a competência de participar e viver uma vida digna, autônoma, participante, criativa e feliz. Isso é possível a todos. Isto é educação inclusiva ( incluir a todos sem discriminação)( Professora Tânia )

 

Educação Inclusiva é aquela que permite ao aluno aprender diante de toda a diversidade de informação no momento atual que vivemos e ainda de maneira a considerar o aluno como ser capaz de aprender a qualquer momento de sua vida, independentemente do grau sócio-econômico, da idade ou nível intelectual.

Por outro lado a educação inclusiva depende de esforços de todos os setores da educação pois sem capacitação de mestres e sem estrutura apropriada, não passa de mais uma tentativa condenada ao fracasso. (Professor Anibal)

 

 

Educação Inclusiva é :

lidar com as diferenças
perceber que o outro não é como eu quero que ele seja e respeitá-lo como ele realmente é.
Tornar possível a convivência e o bem estar das pessoas.
Modificar os meus princípios e reaprender sobre fatos que já estavam cristalizados no meu cotidiano e estar disposto a mudanças.
Perceber que nada está acabado mas sim em constante mutação
Ser facilitador no processo da superação, quando possível, das deficiências do outro.
Aprender a ouvir, dar a palavra.
Ver sempre uma luz no fim do túnel
Enfim educar na inclusão é caminhar passo a passo e se sentir vitorioso em cada espaço conquistado.
 

Pela Educação Inclusiva, pode-se combater, no plano das atitudes, a discriminação manifestada em gestos, comportamentos e palavras, que afasta e estigmatiza as pessoas, bem como os grupos sociais. O que a "Inclusão" coloca para a escola é o desafio de criar outras formas de relação social e interpessoal, por meio da interação entre o trabalho educativo escolar e as questões sociais, posicionando-se crítica e responsavelmente frente a elas.

Sem dúvida, é trabalho de construção no qual o envolvimento de todos se dá pelo respeito e pela própria constatação de que, sem o outro, nada se sabe sobre ele. ( Sílvio, Professor)