EXCESSO DE ALUNOS EM SALA DE AULA NÃO COMBINA COM QUALIDADE EDUCACIONAL
Escrito por Verônica de Araújo Ozório
Dom, 16 de Março de 2003 03:00
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Excesso de alunos em sala de aula não combina com qualidade educacional.

 

Atualmente há uma busca na qualidade da área educacional. Vários autores tem discutido esta temática.

O Brasil está em uma campanha para que todas as crianças entrem e permaneçam dentro das escolas. Mas, isto não quer dizer, que, ao fazê-lo, elas devam ser colocadas em unidades sem estrutura. Uma atuação a ”a toque de caixa”. Não é agindo desta forma que teremos qualidade de ensino.

O excesso de alunos em sala é um dos fatores que dificulta a participação dos alunos, gerando, muitas vezes, atrasos no desenvolvimento escolar.

Os Parâmetros Curriculares Nacionais(1998, página 21) revelam que o processo de aprendizagem de uma língua estrangeira é muito difícil principalmente nas escolas públicas. Um fator que muitos acreditam que se devam às classes superlotadas. O mesmo ocorrendo com outras disciplinas também.

Em linhas gerais a respeito do processo educativo Comenius assinalou que o sentido de ensinar deve estabelecer uma ação na direção do aluno: “A arte de ensinar é sublime,  pois destina-se a formar o homem, é uma ação do professor no aluno, tornando-o diferente do que era antes.”

Contudo, Célestin Freinet ainda acreditava que o ensino pudesse, em alguns locais e dentro de uma determinada condições, ser feito com muitos alunos: ”Em se tratando apenas de instruir crianças, talvez se pudesse aceitar, em certos casos, que elas fossem muitas.”

Sabemos que hoje as escolas não tem mais o papel de apenas instruir as crianças. Elas vão muito além disso. A criança merece toda  atenção do professor. Muitas vezes, ele se sente perdido, não tendo condições de utilizar as suas técnicas educacionais de forma satisfatória a fim de ajudar seus alunos no crescimento e desenvolvimento dentro do processo de ensino-aprendizagem.

As escolas sofrem com a exigência de desenvolver o pensamento crítico. O professor deve ensinar o aluno a pensar. Mas, deve-se indagar: como este processo primordial da educação pode ocorrer em uma sala de aula com muitos alunos? Como dar oportunidade a todos,  para que eles possam se expressar ? Como o professor pode transmitir suas idéias para muitos alunos? Como ele pode ensiná-los? 

A Educação pressupõe relação. Como é possível o professor estabelecer uma boa relação professor-aluno tendo em vista o excesso de alunos por sala?

 

                            

 

O que tem sido identificado pelas pesquisas é que torna-se muito difícil para o professor atuar de forma satisfatória indo ao encontro dos anseios dos seus alunos, tirando as suas dúvidas, para encontrar, junto com eles, soluções viáveis para os problemas de ensino-aprendizagem.

Com o excesso de alunos em sala de aula o professor não tem espaço para que ele possa dar uma atividade diferente, na qual seja possível os alunos se movimentarem pela sala.

A configuração espacial de uma sala de aula não tem propiciado uma interação mais próxima entre os alunos e o professor. Ela segue um modelo clássico dos alunos enfileirados um atrás do outro. Tal como em um ônibus onde as salas de aula segue um modelo hierárquico, com uma fileira atrás da outra, lembrando os lugares que tradicionalmente se apresentam em um ônibus – os alunos virados para a frente olhando o professor. Tal como no caso do ônibus, os passageiros do ônibus virados para o motorista.

Esse tipo de arranjo espacial é estranho já que se busca uma educação de qualidade e o envolvimento diretamente dos alunos no processo da aprendizagem.

Quando o professor tem oportunidades para trabalhar com a turma em grupos ou em círculos os alunos têm a chance de participar muito mais, tendo um espaço de debate e desta forma o professor pode fazer uma avaliação real dos seus alunos. Sabemos que o aluno não é mais passivo, receptáculo das informações, ele é ativo aprendiz, construtor do seu conhecimento.

Excesso de alunos em sala não gera qualidade, pelo contrário gera um aprendizado defeituoso.

Tratar da qualidade educacional sem debatermos este problema em nossas escolas e tentar tapar o sol com a peneira!

Verônica de AraújoOzório
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OBS:Alguns trechos deste texto foi retirado da minha monografia(título: Qualidade na área Educacional) do término de pós-graduação em psicopedagogia.